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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

QUINTETO DE OURO - DENZEL WASHINGTON

Ainda foram poucos os atores homenageados com um Quinteto de Ouro aqui pelo blog, e para ajudar a diminuir essa injustiça, selecionei um dos meus queridos dos últimos anos para apresentar o que prefiro dentro de sua filmografia. Nascido Denzel Hayes Washington há 63 anos em Mont Vernon, meu escolhido do mês acumula mais de 40 filmes em sua carreira, e em 3 deles também assinou a direção. Seu prenome foi dado como forma de reconhecimento pelo trabalho do médico que o trouxe ao mundo, e seus pais eram um pastor protestante e uma esteticista. Denzel, aliás, fala abertamente sobre sua fé e aconselha seu público baseado nela, um dos pouquíssimos em Hollywood a adotar essa postura. 

Sua entrada para o mundo da atuação não era algo previsto inicialmente: ele entrou na universidade para cursar Jornalismo, mais logo foi para o Teatro, e então começou sua carreira de ator. A estreia no cinema veio com A história de um soldado (A soldier's story, 1984), então aos 30 anos e em sua primeira parceria com Norman Jewinson, com quem voltaria a se encontrar em Hurricane - O furacão (Hurricane, 1999), pelo qual recebeu uma das suas 8 indicações ao Oscar e uma das 9 ao Globo de Ouro. A Academia costuma lhe fazer justiça, aliás, embora também já tenham deixado passar alguns papéis. Duas vezes premiado com o Oscar - uma delas incluída na minha seleção -  e duplamente vencedor no Festival de Berlim, ele demonstra não se importar com tais questões. Basta ver seu jeito desconfortável ao ser anunciado nessas cerimônias e mesmo ainda quando vence, tal como aconteceu na edição 2017 do prêmio do Sindicato dos Atores de Hollywood. Muitos hoje o apontam como um sucessor legítimo de Sidney Poitier, que inclusive levou o Oscar honorário no mesmo ano em que ele foi premiado pela segunda vez por uma atuação.

Uma ressalva importante sobre o quinteto escolhido: até o momento, visitei a filmografia de Denzel dos anos 2000 para cá, com exceção de O colecionador de ossos (The bone collector, 1999), mas que não é bom o suficiente para estar aqui. A dívida com o que ele fez entre os anos 80 e 90 vai ser paga com o tempo, e por enquanto ofereço esse recorte dentro de sua carreira, e nesse arco de tempo ele tem filmes que realmente valem a pena. E no fim das contas todas as listas ficam sempre sujeitas a revisões de integrantes e ordens - não vai ser essa que conseguirá escapar dessa sina. Falando em ordem, a escolhida para listar os filmes aqui foi a cronológica. Vamos ao que de melhor o carismático Denzel tem para mim até o momento.

1. Dia de treinamento (Training day, 2001)


Um dos filmes mais citados de sua carreira, Dia de treinamento é também o primeiro de seus três encontros com o realizador Antoine Fuqua, e o mais bem-sucedido deles. Na pele de Alonzo Harris, ele desnuda a corrupção que habita a Divisão de Narcóticos, levantando o questionamento: lei para quem? No seu caso, a lei é a que ele faz e a que lhe convém, e essa é a péssima lição que ele quer transmitir a Jake Hyot (Ethan Hawke), policial com uma vida pessoal tumultuada que precisa decidir até onde vai sua capacidade de servir e proteger os cidadãos. Alonzo é daqueles personagens amorais, que precisa de um ator tarimbado para lhe conferir as nuances, e Denzel é uma excelente escolha. Apesar da pinta de bom moço, ele sempre consegue ser convincente como sujeitos transgressores e perigosos, e aqui mostra bem as facetas de um homem que só mantém o compromisso consigo mesmo. O papel lhe valeu a segunda estatueta do Oscar, depois de um jejum de de 12 anos. Curioso notar a empolgação de Julia Roberts ao anunciar sua vitória na cerimônia: antes de pronunciar seu nome, ela soltou um "Eu amo minha vida!" e, com seu largo sorriso, declarou que o Oscar ia para ele. Pelo visto, ficou uma amizade depois que eles contracenaram em O dossiê pelicano (The pelican brief, 1993).

2. Um ato de coragem (John Q, 2002)


Um ano depois, sai o cinismo deslavado, entra a paternidade obstinada. Porque ator bom é assim: consegue transitar por personalidades diferentes sem perder a credibilidade. Aqui, seu personagem título é um pai levado ao limite pelo complicado e cruel sistema de saúde estadunidense. Seu filho precisa de um transplante de coração, já que o seu se encontra aumentado, mas logo descobre que o plano de saúde pelo qual paga não cobre tal procedimento, e o pior é testemunhar o descaso do plano e do hospital com a situação - muitos justificam o fato de eles verem situações iguais ou parecidas o tempo todo, mas o senso de humanidade não deve se esvair mesmo nas piores rotinas. O que fazer nesse cenário? O tal ato de coragem do título nacional é fazer as pessoas presentes no hospital no momento de reféns, para liberá-los somente com a garantia de que o transplante vai ser realizado. Daí em diante a narrativa se mantém tensa e Denzel estampa a agonia de um pai que agiu por impulso e vai enfrentar as consequências, mas que também desperta um forte sentimento de identificação.

3. Chamas da vingança (Man on fire, 2004)


Além de Jewinson e Fuqua, Denzel também repetiu parcerias com Tony Scott. Aliás, foi o diretor com quem ele trabalhou mais vezes, totalizando cinco longas, dos quais o melhor é Chamas da vingança, com ação para ninguém reclamar, efeito alcançado em boa parte pela estética de videoclipe adotada por Scott. Ex-agente da CIA, seu John Creasy dribla a depressão e entra de novo em atividade para descobrir o paradeiro da filha de um poderoso empresário. Até então, ele era guarda-costas da menina e tinha desenvolvido uma relação terna com ela, mas seu lado furioso vem à tona a partir do sumiço da menina, situação que o leva à fronteira dos Estados Unidos com o México para comprar briga com imperadores do pó branco inalante. Sob a direção de Scott - hoje uma ausência sentida -, ele exala sua fome de justiça, mesmo que para isso também precise se desencaminhar dos trilhos originais dela, levando consigo o espectador para um mundo lúgubre onde compaixão é palavra riscada do vocabulário. Quase não há momentos de respiração livre, e John precisa ser menos palavra e mais pancada. Então uma criança, Dakota Fanning é uma parceira de cena com a qual Denzel alcança ótima química.

4. O voo (Flight, 2012)


Mais um filme a render indicação ao Oscar de melhor para Denzel, fato que interrompeu um hiato de 11 anos sem estar entre os cinco preferidos da Academia, O voo é teste de resistência para acrofóbicos em parte de sua primeira metade. Aqui ele interpreta Whip Whitaker, cujos problemas derivam diretamente do alcoolismo - o que, obviamente, já é um problema em si. Com sua experiência acumulada por anos trabalhando como piloto, ele consegue salvar tripulação e passageiros de uma tragédia iminente, e uma de suas manobras é tremendamente vertiginosa. O grande x da questão é que, durante a "performance" que o levou ao ato heroico, ele estava sob efeito de álcool e cocaína, situação inaceitável sob qualquer prisma, mas nos parâmetros da lei a situação é dúvida até que se prove sua autenticidade, e o roteiro trata de dedicar um bom tempo à investigação e abrir para o público um pouco mais da vida daquele homem de motivação combalida. É verdade que o filme tem uma barriga de uns 20 minutos e traz algumas obviedades na caminhada do protagonista, mas Denzel segura bem o papel e dá humanidade a Whip em cada cena.

5. Um limite entre nós (Fences, 2016)


Outro hiato foi quebrado aqui. Depois de 9 anos sem dirigir, ele decidiu levar para as telas um texto de August Wilson, que já havia encenado no teatro e pelo qual foi laureado com o Tony, premiação máxima da área nos EUA. Junto com Viola Davis, sua parceira de cena também nos palcos, ele vive um enredo em que a palavra assume a primazia, sobretudo no primeiro terço, quando a saraivada de diálogos quase impede o movimento das pálpebras para quem acompanha o filme em versão legendada. Seu Troy Maxon tem camadas que vão se revelando aos poucos, num trabalho de composição admirável que leva a audiência a oscilar sua perspectiva e seus sentimentos quanto a ele quase a cada nova cena. Pai extremoso e desastrado em seus afetos, marido relapso e também cheio de amor, o personagem é bem próximo do real, e tal detalhe também é um traço incômodo: se você não é um Troy, provavelmente conhece algum. Sua atuação foi a primeira a ser vitoriosa com o prêmio do SAG, desbancando o favorito da noite, Casey Affleck, num caso bem-vindo de surpresa.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

BALANÇO MENSAL - JANEIRO

Este mês faz três anos que o pódio começou a aparecer nos balanços mensais, detalhe que o tornou um pouco mais longo e trabalhoso, porém no qual pretendo continuar insistindo. Janeiro deixou uma pá de filmes nota 8, o que tornou bastante difícil fechar os ocupantes da segunda e da terceira posição, enquanto a primeira foi garantida pelo único 8.5 que dei. O critério então passou a ser os dois nota 8 que mais me arrebataram e marcaram, e assim cheguei aos eleitos, podendo os demais serem considerados como menções honrosas. 

Enquanto em 2017 abri os trabalhos com um exemplar de terras italianas, este ano a longa caminhada cinematográfica teve seu pontapé inicial em solo japonês, com meu quarto Kyioshi Kurosawa, ao qual se sucederam nomes como James Ivory (um tanto abaixo das expectativas), Martin Scorsese (em um dos trabalhos menos típicos de sua carreira), George Cukor (num segundo contato mais proveitoso), William Wyler (provando que domina a arte das narrativas espacialmente restritas) e Todd Haynes (uma decepção ainda não digerida), só para citar brevemente alguns nomes. Cabe destacar também a forte presença feminina entre os diretores: foram nove no total, entre elas Kathryn Bigelow e Valerie Falls, um número significativo e que alia quantidade e qualidade. Segue a primeira leva de longas vistos e revistos em 2018!

PÓDIO

MEDALHA DE OURO

The square - A arte da discórdia (Ruben Östlund, 2017)


O realizador comemorou efusivamente sua Palma de Ouro no 69º Festival de Cannes, e tinha toda a razão. O prêmio máximo da mostra nunca tinha sido entregue a uma obra tão irreverente e de muitas ressonâncias morais, artísticas e sociológicas que provoca seu espectador do início ao fim. Não são poucas as situações absurdas a desafiar o status quo e provocar reações como o riso e o desconforto, sempre aliadas a ótimas interpretações, entre elas uma das atuais queridinhas do mundo das séries: Elizabeth Moss. Com The square, o realizador alfineta e dá tapas com luva de pelica no universo da arte, questionando o que pode ser enquadrado nesse rótulo. Aliás, o título original apresenta uma dubiedade, já que é traduzível por praça ou quadrado, mas o caso é o segundo mesmo, uma obra que está para ser lançada no museu do qual o protagonista é curador e precisa divulgar. Ao recorrer a uma empresa de marketing, eles realizam um trabalho de gosto, no mínimo, duvidoso, e daí surgem alguns dos achincalhes enfileirados por Östlund em pouco mais de duas horas de narrativa.

MEDALHA DE PRATA

Enquanto você dorme (Jaume Balagueró, 2011) 


Parece consenso que todos vivemos nossos momentos de felicidade, mas o protagonista de Enquanto você dorme coloca esse raciocínio em xeque com seu cotidiano absolutamente desprovido de tal sentimento. Em sua narração em off, ele declara que nunca se sentiu realmente feliz e tem enorme dificuldade para achar motivação que o faça se levantar da cama todos os dias. Seu semblante carregado é incapaz de esboçar sorrisos além daqueles que indicam cordialidade, e também esses são vazios porque, uma vez sem qualquer experiência em ser feliz, a empatia com quem o é permanece sempre a nível zero. Pior é que ele ocupa a função de porteiro do prédio onde mora, e lhe incomoda especialmente uma nova moradora, que segue com expressão de alegria mesmo com os reveses que enfrenta. Ele então declara uma guerra silenciosa àquela cujo único "erro" foi demonstrar felicidade, e e em cima dessa ideia se constrói o suspense de dar nos nervos (bom ou mau sentido, a depender do momento), que reserva momentos realmente surpreendentes e traz uma brilhante atuação de Luis Tosar, mais do que crível em seu personagem nada heróico.

MEDALHA DE BRONZE

O amante de um dia (Philippe Garrel, 2017)


Na atividade de realização cinematográfica desde os anos 60, Philippe Garrel não faz a menor questão de fugir de um certo anacronismo na concepção formal de seus longas, escolha que gera efeitos particulares no público contemporâneo, avesso a caminhadas lentas onde "nada acontece". Suas histórias sempre acabam versando sobre o mal de amar, que vem basicamente do fato de que o amor, ao menos o que se vivencia pelos seres humanos, é o sentimento mais imprevisível que existe. Em O amante de um dia quem sente o peso dessa verdade é Jeanne (Esther Garrel, filha do diretor), chorosa enquanto enfrenta o término de um relacionamento no qual estava inteiramente mergulhada. De volta à casa do pai, um professor universitário envolvido com uma estudante, ela encontra um ouvido para seus desabafos e uma interlocutora para suas questões de coita amorosa, termo que procede do Trovadorismo e encontra guarida na proposta de cinema da qual Garrel pai segue como estandarte e arvora a cada dois ou três anos, para felicidade de uma parcela da população cinéfila.

INÉDITOS

1. Sonata de Tóquio (Kyioshi Kurosawa, 2008) -> 7.5
2. Com amor, Van Gogh (Dorota Kobiela e Hugh Welchman, 2016) -> 5.0
3. Um clarão nas trevas (Terence Young, 1967) -> 7.0
4. Uma janela para o amor (James Ivory, 1985) -> 6.5
5. Detroit em rebelião (Kathryn Bigelow, 2017) -> 8.0
6. A região selvagem (Amat Escalante, 2016) -> 7.0
7. Silêncio (Martin Scorsese, 2016) -> 8.0


8. Fúria sanguinária (Raoul Walsh, 1949) -> 8.0
9. O guarda (John Michael McDonaugh, 2011) -> 8.0
10. Extraordinário (Stephen Chbosky, 2017) -> 8.0
11. Nascida ontem (George Cukor, 1950) -> 7.5
12. The square - A arte da discórdia (Ruben Östlund, 2017) -> 8.5
13. The whispering star (Shion Sono, 2015) -> 8.0



14. O incidente no Nile Hilton (Tarik Saleh, 2017) -> 7.0
15. Joaquim (Marcelo Gomes, 2017) -> 7.0
16. Viva - A vida é uma festa (Lee Unkrich e Adrian Molina, 2017) -> 8.0
17. Terra fria (Niki Caro, 2005) -> 7.5
18. A guerra dos sexos (Valerie Falls e Jonathan Dayton, 2017) -> 7.0
19. O amante de um dia (Philippe Garrel, 2017) -> 8.0
20. Chaga de fogo (William Wyler, 1951) -> 8.0




21. O efeito aquático (Sólveig Anspach e Jean-Luc Gaget, 2016) -> 7.5
22. Victoria e Abdul - O confidente da rainha (Stephen Frears, 2017) -> 7.0
23. Alien 3 (David Fincher, 1992) -> 7.5
24. Colo (Teresa Villaverde, 2017) -> 7.0
25. A hora do rush (Brett Ratner, 1998) -> 5.0
26. Conspiração e poder (James Vanderbilt, 2015) -> 7.0
27. A carruagem de ouro (Jean Renoir, 1952) -> 7.0
28. Sem fôlego (Todd Haynes, 2017) -> 4.0



29. Bingo - O rei das manhãs (Daniel Rezende, 2017) -> 7.5
30. A vilã (Byung-gil Jung, 2017) -> 6.0
31. A um passo da eternidade (Fred Zinemann, 1953) -> 8.0
32. Souvenir (Bavo Defurne, 2016) -> 7.0
33. Enquanto você dorme (Jaume Balagueró, 2011) -> 8.0
34. Caindo na real (Ben Stiller, 1994) -> 6.0
35. Lágrimas sobre o Mississipi (Dee Rees, 2017) -> 7.5



36. Tempo de despertar (Penny Marshall, 1990) -> 8.0
37. 2000 léguas submarinas (Richard Fleischer, 1954) -> 7.5
38. O idiota (Yuriy Bykov, 2014) -> 8.0
39. Infância clandestina (Benjamín Ávila, 2011) -> 6.0
40. Paris pode esperar (Eleanor Coppola, 2016) -> 7.0



41. Western (Valeska Grisebach, 2017) -> 4.0
42. Um sábado violento (Richard Fleischer, 1955) -> 8.0
43. O homem que incomoda (Jens Lien, 2006) - 7.0
44. A troca (Clint Eastwood, 2008) -> 7.5
45. Projeto Flórida (Sean Baker, 2017) -> 7.0

REVISTOS

Paris, te amo (Gurindher Chadcha, Sylvain Chomet, Wes Craven, Ethan e Joel Coen, Alexander Payne e outros, 2006) -> 7.5
Paris, Texas (Wim Wenders, 1984) -> 8.5
2 dias em Paris (Julie Delpy, 2007) -> 7.5
Amor em cinco tempos (François Ozon, 2004) -> 7.5
Trem mistério (Jim Jarmusch, 1989) -> 8.5

MELHOR FILME: The square - A arte da discórdia
MELHOR DIRETOR: Jaume Balagueró, por Enquanto você dorme
MELHOR ATRIZ: Judie Holliday, por Nascida ontem
MELHOR ATOR: Luis Tosar, por Enquanto você dorme
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Julia Roberts, por Extraordinário
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Ernest Borgnine, por A um passo da eternidade
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Ruben Östlund, por The square - A arte da discórdia
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Martin Scorsese e Jay Cocks, por Silêncio
MELHOR FOTOGRAFIA: The whispering star
MELHOR TRILHA SONORA: Viva - A vida é uma festa
MELHOR CENA: A canção da infância que desperta a memória da bisavó em Viva - A vida é uma festa
MELHOR FINAL: A um passo da eternidade

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

QUINTETO DE OURO - CLINT EASTWOOD

Nascido Clinton Eastwood Jr. e atualmente na casa do 80 anos, esse realizador, ator e produtor integra a "velha guarda" hollywoodiana e faz por merecer atenção em seus filmes. Um detalhe que logo chama a atenção em sua carreira é a diversidade de gêneros por que passeia. Com exceção da comédia e da ficção científica, Eastwood passeou por estilos diferentes de se contar uma história em tela grande e foi bem-sucedido na maioria delas. E não são poucos os títulos que compõem sua filmografia: até o momento, 37 filmes em um ofício de cineasta iniciado em 1971. Aliás, o foco deste Quinteto de Ouro é no Clint diretor, faceta pela qual costuma ser mais elogiado. Em suas experiências na atuação, muitas vezes é apontado como um intérprete de repertório expressivo reduzido, mas até que seus personagens mais icônicos não dependiam tanto desse tipo de recurso: o Homem sem Nome da trilogia assinada por Sergio Leone, pela qual ele ganhou notoriedade, ainda que já estivesse em atividade desde a década anterior.

No que tange a premiações, ele foi contemplado até poucas vezes, considerando a extensão de sua obra: duas vezes vitorioso no Oscar nas categorias de melhor filme e diretor, por Os imperdoáveis (Unforgiven, 1992) e Menina de ouro (Million dollar baby, 2004), que muitos consideram entre os melhores de sua autoria, além de prêmios no César, algumas vitórias no Globo de Ouro e duas honrarias pelo conjunto da obra recebidas do SAG (Sindicato de Atores de Hollywood) e do Festival de Veneza, onde raramente aparece com um filme. Recebeu um outro tanto de indicações da Academia e muitas vezes perdeu para candidatos igualmente bons, não sendo um diretor com muitas injustiças sofridas no currículo. Até hoje, se arriscou somente uma vez como roteirista: em Por um punhado de dólares (Per un pugno di dollari, 1964), pelo qual não chegou a ser creditado. Com vocês, meus preferidos desse veterano em ordem cronológica.

1. As pontes de Madison (The bridges of Madison County, 1995)


A prova de que por trás daquele semblante sisudo e fechado existe um coração é este filme, um dos vários em que acumulou direção e atuação. Contando uma história sensível de um ponto de vista feminino, ele conduz o público a uma pequena cidade interiorana onde aconteceu um romance marcado pela impossibilidade entre o fotógrafo Robert (o próprio Clint) e a dona de casa Francesca (Meryl Streep). De um encontro que começou por acaso e logo evoluiu para uma paixão avassaladora, ficaram lembranças que Francesca levou para a posteridade, e ambos procuraram aproveitar o tempo que tinham para vivenciar aquele relacionamento fora dos conformes - afinal, Francesca era casada. Mas quem pode realmente atirar pedras? Os filhos, leitores das memórias que ela deixou compartilhada em seu diário, passam a compreender mais sobre a mãe postumamente, em uma narrativa que desvia do sentimentalismo e, ainda assim, é capaz de acessar nossas emoções. Pelo filme, Streep recebeu uma de suas 2o indicações (até agora) ao Oscar, demonstrando habilidade com um sotaque italiano e quase desaparecendo sob a pele de uma mulher absolutamente comum.

2. Sobre meninos e lobos (Mystic river, 2003)


"Acho que nós três entramos naquele carro". A frase, impactante em seu contexto original, é proferida por Dave (Tim Robbins), cujo trauma de infância vem de um episódio em que ele estava com seus dois grandes amigos Jimmy (Sean Penn) e Sean (Kevin Bacon). Levado por alguns homens para o que o público nota ser uma sessão de abusos sexuais - algo que os então meninos só compreenderiam mais tarde - ele nunca mais é o mesmo. Porém, os outros dois garotos, agora crescidos, também não são, e um reencontro depois de décadas expõe essa verdade de uma forma nem um pouco agradável. Baseado no romance de Dennis Lehane, Eastwood filmou um drama de peso sobre laços de amizade e relações fragmentadas com igual intensidade, não economizando nas sombras e na força dos diálogos e atuações de um elenco potente, lembrado pelo SAG na categoria correspondente. No Oscar, Penn e Robbins faturaram suas estatuetas, um reconhecimento justo de papéis com tantas nuances. 

3. Menina de ouro (Million dollar baby, 2004)


Em 2004, Eastwood decidiu ir para os ringues contar a história de mais uma mulher forte, que sabe revidar as pancadas que recebe da vida. A escolhida para viver Maggie foi Hillary Swank, que àquela altura tinha como papel mais importante a protagonista de Meninos não choram (Boys don't cry, 1999), pelo qual tinha conquistado um Oscar. Pois a segunda vitória chegou com esse longa, em que ela faz uma ótima dobradinha com ele também em frente às câmeras, num enredo que mistura força e carinho de maneira exemplar. Inicialmente avesso à ideia de treinar uma mulher, Frankie (Eastwood) é vencido pelo cansaço e se torna o mentor da jovem, que não tem nada a perder. A relação paternal entre eles se desenvolve aos poucos e ainda sobra espaço para um belo coadjuvante vivido por ninguém menos que Morgan Freeman, em seu reencontro com o cineasta 12 anos depois de Os imperdoáveis. Junto com As pontes de Madison, Menina de ouro é um dos filmes de Eastwood em que é mais fácil verter lágrimas, já que a maior pancada sofrida por Maggie também atinge a plateia.

4. Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima, 2006)


A ilha japonesa de areias negras foi o cenário de um dos projetos mais ambiciosos da carreira do diretor. Decidido a mostrar os dois lados do conflito entre Estados Unidos e Japão na Segunda Guerra Mundial, ele filmou a visão ocidental e a oriental, fazendo questão de trabalhar com elenco de nativos em ambos os casos. Os filmes, portanto, são complementares, e os resultados estão entre o ótimo e o excelente, sendo a versão japonesa a detentora do segundo adjetivo. Os problemas "patriotas" do primeiro, por assim dizer, arranham sua imagem, enquanto aqui se observa uma contenção e um olhar compreensivo sobre a tragédia da guerra, expressão que deveria ser considerada o exemplo magno de pleonasmo. As tais cartas do título continham revelações sobre o foi a batalha ocorrida na ilha do título, um confronto de 40 dias em que estadunidenses atacavam pela pátria e japoneses eram movidos pelo conceito de "morte honrosa". A fotografia cinzenta e a edição de som que capta o reverberar das bombas e demais armas são detalhes técnicos marcantes nessa história sobre a História.

5. Gran Torino (idem, 2008)


Mais abusado do que nunca, em Gran Torino Eastwood não apenas dirigiu e atuou, mas também produziu e até cantou. Seu protagonista Walt Kowalski segue como seu último papel em filme próprio, e se permanecer assim é uma despedida bem digna. A bem da verdade, correlacionando a persona que ele cultivou em seus longas e também nos de outros diretores, fica uma forte impressão de que existe muito dele mesmo em Walt. Apresentado como um sujeito intratável, mal humorado e nem um pouco comprometido com a correção política, ele vai aos poucos redimensionando o seu olhar depois que começa a conviver com vizinhos imigrantes oriundos do Laos. Veterano da Guerra da Coreia, ele endureceu a tal ponto que se transformou em um misantropo, e somente a paciência e a bondade daquelas novas pessoas consegue causar algum efeito nele. É bom reforçar que o diretor nunca opta pelo drama choroso: é como se ele fosse uma daquelas pessoas que, ao ver alguém em lágrimas, diz-lhe poucas e boas e as palavras, em vez de colocar para baixo, levantam o moral, num belo exemplo de psicologia reversa.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

BALANÇO MENSAL - DEZEMBRO

Antes de eu declarar 2017 definitivamente encerrado do ponto de vista cinematográfico, não pode faltar meu balanço mensal, que reúne as últimas sessões do ano, parte das quais vou levar na memória ao longo deste e dos próximos anos, tamanha a qualidade que apresentam. O pódio acabou reunindo somente filmes novíssimos, o que revela a total possibilidade de realização de excelentes produções no cinema contemporâneo. Seguem, portanto, os inéditos e os revisitados de dezembro. Feliz 2018!

PÓDIO

MEDALHA DE OURO

Roda gigante (Woody Allen)


Em breve, crítica completa, como sempre faço para os filmes de Allen. Por enquanto, o textinho que escrevi para justificar sua inclusão na lista de melhores filmes de 2017: O mesmo filme e, ainda assim, um filme diferente. A façanha anual de Allen se cumpriu novamente, e seu encontro com ninguém menos do que Kate Winslet nos leva para os anos 50 em Coney Island para encontrar uma mulher amarga, cujo erro do passado ainda atormenta e o casamento atual não satisfaz. Um romance com um salva-vidas parece uma tábua de salvação (conceito que é uma das recorrências do diretor) e um novo erro vem para desarranjar o estado das coisas. Tudo isso com luzes impressionantes, trabalho do esteta Vittorio Storaro. 

MEDALHA DE PRATA

O sacrifício do cervo sagrado (Yorgos Lanthimos)


Estranheza é um dos pilares do cinema proposto por Yorgos Lanthimos, cineasta grego que surgiu com um o duvidoso Dente canino (Kynodontas, 2009) e, desde então, vem melhorando a cada filme. Curiosamente, sem deixar suas características de lado, mas depurando um estilo que vem demonstrando amadurecimento como realizador. Em seu quarto trabalho, ele causa incômodo ao adentrar o cotidiano de uma família cujo patriarca (Colin Farrel, intérprete mais sólido a cada filme), consumido pela culpa, desenvolve um relacionamento de contornos cada vez mais bizarros com o filho de uma vítima sua, e tal bizarrice vem das atitudes do garoto, mais e mais obcecado. Não faltam momentos em que o inesperado é dito ou feito, e a crescente atmosfera de terror, potencializada por enquadramentos insólitos e uma trilha incidental opressora, leva a narrativa para além de um drama familiar. O prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes ficou em ótimas mãos.

MEDALHA DE BRONZE

Star wars episódio VIII - Os últimos Jedi (Rian Johnson)


O filme também ganhou um textinho por ter sido listado entre os melhores de 2017, e o trago novamente aqui: Foram dois anos de espera até o reencontro com figuras carismáticas e queridas em duas aventuras galácticas no ano em que o quarto episódio completou quarenta anos. E foi o encontro com mais um herói vulnerável: Luke Skywalker assume suas fraquezas e se revela um mito desconstruído, com um erro pelo qual se culpa, mas uma aparição muito especial o faz rever sua postura. Tentativas e erros de outros heróis também surgem, mostrando que sempre há muito a aprender. E os comentários acabam aqui!

INÉDITOS

394. Minha mãe é uma viagem (Anne Fletcher, 2012) -> 5.0
395. Assassinato no Expresso do Oriente (Kenneth Branagh, 2017) -> 7.0
396. Coisas belas e sujas (Stephen Frears, 2002) -> 7.0
397. O corpo (Oriol Paulo, 2012) -> 8.0
398. Kingsman: o círculo dourado (Matthew Vaughn, 2017) -> 6.0
399. Shine - Brilhante (Scott Hicks, 1996) -> 6.0


400. O colecionador de ossos (Philip Noyce, 1999) -> 6.0
401. Delicatessen (Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro, 1991) -> 7.0
402. Contra o tempo (Duncan Jones, 2011) -> 7.0
403. Minha irmã (Ursula Meier, 2012) -> 7.0
404. Doentes de amor (Michael Showalter, 2017) -> 7.5
405. Estômago (Marcos Jorge, 2007) -> 8.0


406. Cadê os Morgan? (Marc Lawrence, 2009) -> 4.0
407. Perfume - A história de um assassino (Tom Tykwer, 2006) -> 6.5
408. Agente 86 (Peter Segal, 2008) -> 7.0
409. O cidadão ilustre (Gastón Duprat e Mariano Cohn, 2017) -> 8.5
410. O dia depois (Hong Sang-soo, 2017) -> 7.5
411. Pasqualino sete belezas (Lina Wertmüller, 1975) -> 6.0
412. Como irmãos (Hugo Célin, 2012) -> 7.0


413. Depois daquela montanha (Hany Abu-Asad, 2017) -> 5.0
414. Amor à distância (Nanette Burstein, 2010) -> 6.0
415. Star wars episódio VIII - Os últimos Jedi (Rian Johnson, 2017) -> 8.5
416. Columbus (Kogonada, 2017) -> 8.0
417. Sombras do pavor (Henri-Georges Clouzot, 1943) -> 7.5
418. Clever (Federico Borgia e Guillermo Madeiro, 2015) -> 7.0


419. Revelação (Robert Zemeckis, 2000) -> 6.0
420. Desamor (Andrey Zvyagintsev, 2017) -> 8.0
421. O bebê de Bridget Jones (Sharon Maguire, 2016) -> 7.0
422. Elon não acredita na morte (Ricardo Alves Jr., 2016) -> 4.0
423. O motorista de táxi (Hun Jang, 2017) -> 8.0
424. Dieta mediterrânea (Joaquín Oristrell, 2009) -> 7.0
425. A festa (Sally Potter, 2017) -> 7.0


426. O que te faz mais forte (David Gordon Green, 2017) -> 7.0
427. A sombra da árvore (Hafsteinn Gunnar Sigurðsson, 2017) -> 8.0
428. Um dia em Nova York (Gene Kelly e Stanley Donen, 1949) -> 7.0
429. Roda gigante (Woody Allen, 2017) -> 9.0
430. Rastros (Agnieska Holland e Kasia Adamik, 2017) -> 5.0
431. O sacrifício do cervo sagrado (Yorgos Lanthimos, 2017) -. 9.0
432. Ensiriados (Philippe Van Leuuw, 2017) -> 7.5

REVISTOS

Horas de verão (Olivier Assayas, 2008) -> 8.0
O jogador (Robert Altman, 1992) -> 8.0
Conto de verão (Eric Rohmer, 1996) -> 8.0
Desejo e obsessão (Claire Denis, 2001) -> 8.0
Blow up (Michelangelo Antonioni, 1966) -> 7.0

MELHOR FILME: Roda gigante
MELHOR DIRETOR: Woody Allen, por Roda gigante
MELHOR ATRIZ: Kate Winslet, por Roda gigante
MELHOR ATOR: Colin Farrel, por O sacrifício do cervo sagrado
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Barry Keoghan, por O sacrifício do cervo sagrado
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Juno Temple, por Roda gigante
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Woody Allen, por Roda gigante
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Rian Johnson, por Star wars episódio VIII - Os últimos Jedi
MELHOR TRILHA SONORA: O sacrifício do cervo sagrado
MELHOR FOTOGRAFIA: Vittorio Storaro, por Roda gigante
MELHOR CENA: O diálogo com variação de luzes em Roda gigante
MELHOR FINAL: Roda gigante

domingo, 31 de dezembro de 2017

MELHORES DO CINEMA EM 2017: OUTRAS CATEGORIAS

Nesta terceira e última parte da retrospectiva dos meus preferidos do cinema em 2017, apresento quem mais me chamou a atenção em categorias que considero importantes, as mesmas que costumo citar nos meus balanços mensais. O percurso cinematográfico de 2016 somou 491 longas-metragens, dos quais mais de 50 foram revistos pela primeira ou segunda vez, uma prática que comecei a adotar no fim de 2014 e venho mantendo e me faz voltar ao contato com produções que amei e, em sua maioria, o sentimento permanece.

Em relação ao ano passado, as listas desse ano contêm uma diferença e um retorno: em vez de dez, reuni cinco pôsteres -  certamente haveria espaço para dez de novo, mas optei por cinco por uma questão de economia de tempo; e novamente listo os 30 filmes fora do circuito que mais me marcaram, em vez de 25 títulos como fiz em 2016. Considero que esse ano foi o em que estive mais eclético, o que me pôs diante de algumas bobagens também, mas os ótimos filmes prevaleceram.  Por último: assim como as demais seleções, coloquei meus eleitos em ordem alfabética. E lá vamos nós rumo a 2018!


ROTEIROS


Corra!, por Jordan Peele

O dia mais feliz da vida de Olli Mäki, por Juho Kuosmanen e Mikko Myllylahti

Eu, Daniel Blake, por Paul Laverty

Frantz, por François e Philippe Piazzo

Manchester à beira-mar, por Kenneth Lonergan

Minha vida de abobrinha, por Céline Sciamma

O outro lado da esperança, por Aki Kaurismäki

Roda gigante, por Woody Allen

Toni Erdmann, por Maren Ade

Z - A cidade perdida, por James Gray


FOTOGRAFIAS


Frantz

Manchester à beira-mar

O outro lado da esperança

Roda gigante

Z - A cidade perdida


TRILHAS SONORAS


Atômica

Bom comportamento

La la land - Cantando estações

Paterson

Star wars episódio VIII - Os últimos Jedi


CENAS


A pancadaria pelos prédios em Atômica

O protesto nas ruas em Eu, Daniel Blake

Anna e Adrien a cores à beira do rio em Frantz

A perseguição na sala dos espelhos em John Wick - Um novo dia para matar

O que poderia ter sido e não foi em La la land - Cantando estações

O último encontro de Randi e Lee em Manchester à beira-mar

O jantar japonês em O outro lado da esperança

O diálogo com luzes oscilantes em Roda gigante

A chegada do pai com a fantasia inusitada em Toni Erdmann



CARTAZES


Frantz

Moonlight - Sob a luz do luar

Paterson

Roda gigante

Toni Erdmann


FORA DO CIRCUITO (em ordem cronológica das sessões)


1. O filme de Oki (Hong Sang-soo, 2010)
2. Verão feliz (Takeshi Kitano, 1999)
3. Sob a sombra (Babak Anvari, 2016)
4. A estrada (John Hillcoat, 2009)
5. O garoto (Charles Chaplin, 1921)
6. Sombras do mal (Jules Dassin, 1950)
7. O túnel (Seong-Hun Kim, 2016)
8. Ninotchka (Ernst Lubitsch, 1939)
9. ABC do amor (Mark Levine, 2005) 
10. Quando os homens são homens (Robert Altman, 1971)
11. Aliens - O resgate (James Cameron, 1986)
12. Ponte para Terabítia (Gabor Csupo, 2007)
13. O abismo de um sonho (Federico Fellini, 1952)
14. Terra de minas (Martin Zandvliet, 2015)
15. Suntan ( Argyris Papadimitropoulos, 2016)
16. A ovelha negra (Grímur Hákonarson, 2015)
17. Missão impossível - Protocolo fantasma (Brad Bird, 2011)
18. Já estou com saudades (Catherine Hardwicke, 2015)
19. Karen chora no ônibus (Gabriel Rojas Vera, 2011)
20. Mississippi em chamas (Alan Parker, 1988)
21. Christine - O carro assassino (John Carpenter, 1983)
22. O céu pode esperar (Warren Beatty e Buck Henry, 1979) 
23. Quiz show - A verdade dos bastidores (Robert Redford, 1994)
24. A baía dos anjos (Jacques Demy, 1963)
25. Esse obscuro objeto do desejo (Luis Buñuel, 1977)
26. Contratempo (Oriol Paulo, 2016)
27. Omar (Hany Abu-Asad, 2013)
28. A turba (King Vidor, 1928)
29. A falecida (Leon Hirszman, 1965)
30. Estômago (Marcos Jorge, 2007)

sábado, 30 de dezembro de 2017

MELHORES DO CINEMA EM 2017: INTERPRETAÇÕES FEMININAS E MASCULINAS

A exemplo do que fiz em 2016, este ano trago 20 nomes, sendo 10 atrizes e 10 atores, como meus favoritos em matéria de atuação. Não quis traçar a fronteira entre principais e coadjuvantes, preferindo seguir o critério adotado no Festival de Cannes, que entrega seus prêmios aos atores simplesmente sob o título de interpretação feminina ou masculina, daí também o título desta segunda parte do meu especial de melhores do ano no cinema. Também é importante ressaltar que a lista não está organizada em escala decrescente de qualidade. Assim como na seleção de filmes, recorri à ordem alfabética, procurando mostrar que todos os 20 selecionados ocupam meu coração e minha mente com igual relevância. Por muitas vezes, montar listas em ordem de preferência é se ver perdido em delimitações milimétricas, e não tenho porque me dar a esse trabalho. Seguem então os nomes...

INTERPRETAÇÕES FEMININAS


Amy Adams (Animais noturnos)
Charlize Theron (Atômica)
Juno Temple (Roda gigante)
Kate Winslet (Roda gigante)
Kim Min-hee (Na praia à noite sozinha)
Michelle Williams (Manchester à beira-mar)
Michelle Pfeiffer (Assassinato no Expresso do Oriente)
Paula Beer (Frantz)
Sandra Hüller (Toni Erdmann)
Viola Davis (Um limite entre nós)


INTERPRETAÇÕES MASCULINAS


Adam Driver (Paterson)
Casey Affleck (Manchester à beira-mar)
Charlie Hunnam (Z - A cidade perdida)
Dave Johns (Eu, Daniel Blake)
Denzel Washington (Um limite entre nós)
Jarkko Lahti (O dia mais feliz da vida de Olli Mäki)
Peter Simonischek (Toni Erdmann)
Pierre Niney (Frantz)
Robert Pattinson (Bom comportamento)
Trevante Rhodes (Moonlight - Sob a luz do luar)